quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Agnes Herczeg

Esculturas em renda

http://divaholic.com.br/arte/as-esculturas-de-renda-de-agnes-herczeg/

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Dos diversos mundos

    Desde pequenininha é "olha que gracinha, como é serelepe" daqui, "nossa, mas que simpatia né! como conversa, como fala!" de lá, "nossa, mas como se entrosa bem essa menina, não?". É... uma criança bem fácil de lidar, bem amável, bem amante. Este encantamento das pessoas para comigo, no entanto, me parece reflexo do proporcional fascínio que tinha eu, pelo mundo.
    Verdades sejam ditas, apesar da facilidade do relacionamento, muito fui sentida como problema na escola. Imaginava de mais, criava de mais. Criava além dos momentos de desenho livre da aula de artes, ou do teatro. Se não podia ter algo que queria muito, em meu imaginário infantil tratava de fazer esse desejo tornar-se possível. Mas que perigo, que perigo! Isso não pode. Não pode inventar um mundo para ser feliz... há de se encontrar a felicidade dentro da realidade possível. Também não é muito bom ficar dando atenção pra essa história de amigo imaginário.
       "Que futuro esperamos de uma criança que inventa tanto?"  A minha reação diante das repreensões e questionamentos, sempre por parte da escola: confusão. Não entendia onde minha vida imaginária era tão prejudicial ou maléfica. Teríamos de ser felizes só dentro da realidade possível e nuclear? A tempo: de que realidade estamos falando? Aquela que só se conquista mediante dinheiro? Existem outras realidades possíveis?
       Mas minha mãe deixava, em casa sim, liberdade. Na escola aprendi que só podia falar sobre algumas coisas, e a duras custas em minha primeira década de vida sabia que era preciso agir pela convenção. Era preciso criar máscaras (e nem imaginava que teríamos um imenso depósito de máscaras ao longo da vida!). A sorte - e até mesmo o privilégio, ouso dizer - é que a minha casa era, em verdade, um planeta mágico. Era minha oca, e também meu reinado. Na minha casa, as máscaras ficavam na porta da rua e eu podia construir sim  minha realidade, inventando - com sabores e dissabores, alegrias e dores, aquilo que enquanto criança precisava para ser feliz.

    A medida que cresci, fui percebendo que essas coisas sempre aconteceriam: por um determinado momento, meu mundo interno era a igreja Protestante. Da mesma maneira, muitos me repreendiam - porque repreender não se faz apenas com palavras, se faz com olhares, com suspiros, com gestos - ou então, muitos não compreendiam. Nesta época, agora era na minha casa em que eu tive que aprender o que falar. Só poderia falar algumas coisas (não porque fui proibida, mas simplesmente por não me sentir compreendida). A igreja, a casa das amigas evangélicas, passaram a ser o refúgio dos pensamentos contidos.
   Tantas coisas mudam. Nunca me imaginei evangélica. Mas fui, e durante esse tempo, foi maravilhoso. Até hoje não consigo encontrar pontos que realmente me convençam de que tenha sido algo negativo. Mas como tudo muda, a gente amadurece. E assim foi... hoje não consigo me enxergar mais nessa doutrina.
   Mas lembrando, é o eterno ciclo: uma coisa vem, vai, outra aparece. E assim como os planetas giram em torno do Sol, nossos mundos vão girando em torno de nós. E vão encontrando lugares que possam ser compartilhados. Compartilhados? São tantos os viajantes! Será que alguém realmente já esteve só?

Desabafinho

Tu chegastes assim
de superfície
límpida, clara, transparente
Que nem me importei com o inverno
Não fazia calor
Nem tampouco a vontade de muito me movimentar
Estava em falta qualquer indício de que
em breve, eu me interessaria em mergulhos...
Mas chegastes assim
suavemente...
E queria eu não falar de estações
que difícil para mim essa coisa
de não falar da natureza
Mas sim, Marujo...
Quis mergulhar. Em pleno inverno
Quis lavar o corpo e a alma
quis nadar nesse mar de estrelinhas
que tanto brilham, quando meus olhos se fecham
Esporte novo...
Mal mergulhei, e um emerge um impulso a saltar
querer subir cada vez mais alto,
para saltar ora de cambalhotas, ora de braços abertos
Saltar assim, amiúde, mas cada vez mais junto
mais profundo...
Eu, que sempre fui dos esportes radicais,
raríssimas vezes temi o desafio!
E agora, por deveras, tenho de encarar
o medo que bate a porta, me ameaçando a capacidade
"que é você? que é que tem?"
Eu tenho coragem, tenho vontade...
Também gosto muito de cuidar da mãe Terra,
portanto, quero é poder cuidar desse lago tão límpido
que me presenteou tanta transformação
De mais, nunca de menos, tenho o que tenho: amor
E é isso!
Seja a nado livre, seja de barquinho,
ao som de ondas, tempestade ou violão
A vida, que muito estava me convidando a pensar
questionar, e repensar os rumos
Tem convidado novos passageiros,
Tem querido discutir as rotas
Não sei bem quais são os destinos
Mas sempre aprendi que as estrelas - aos iniciados,
aos que compreendem os sinais da Imensidão
sempre indicaram o caminho...
Descobrir em você, toda essa constelação
Me fez perder a pressa de me achar
Quem sabe são as tuas estrelas que indicarão o caminho...

E não é um poeminha, nem é um poemão!
É um desabafo mesmo, desses do coração
Que tava todo apertado, todo cheio de emoção
E com um cadinho de medo, tentando dar vazão



segunda-feira, 5 de junho de 2017

Trabalhar (se)


Destas coisas que são indescritíveis mas, de tanta profundidade, fazemos tanta questão em tentar compartilhar: Todas as manhãs, antes do lanche das crianças, fazemos uma roda rítmica que sempre termina com todos nós deitados, "dormindo ou descansando". Como a criança é pura imitação, sempre deito junto, e depois que aquele silêncio chega, levanto-me e vou "acordando" uma a uma. Mas hoje demorei um pouquinho mais. Fiquei deitada mais o que fico normalmente. É que estava lá, deitada, e depois de alguns minutinhos sinto um afaguinho. Era uma de minhas alunas chegando como um gatinho e deitando sob meu peito. E depois, chegou outra, e deitou-se em meu braço. E aí fecharam os olhos. E nós fechamos. Fez-se um silêncio, e o tempo se perdeu. Este que corre atrás de mim incessantemente, de repente, perdeu-se... As duas alí, mergulhadas em acolhimento e tranquilidade, me fizeram a Professora, Mulher, Profissional, Mãe, mais completa e grata neste mundo. Estes dias, fazendo um trabalho terapêutico com outro aluno, que envolvia uma brincadeira e um teatrinho especialmente para ele, sou surpreendida com beijinho repentino. Um aluno que não costuma dar beijos e abraços. Mas foi um ato tão volitivo, tão rápido, que saltou-lhe de sua boquinha um beijo e logo ele se corou todo, riu e tentou se esconder.
Trabalhar com crianças de 3 a 6 anos, numa Pedagogia que oferece um ambiente sagrado para o Ser Criança e para o floreSer, é ter a oportunidade diária de purificar-se.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Sítio Vale das Cabras

Neste final de semana até o Sol brilhou diferente!
Depois de dois dias chuvosos,
as plantas dançaram ao som do vento
saudando a água benta que caiu!
E nestes solos tão férteis, tão abençoados,
ideias e sonhos foram semeados...
Podem chegar, que num porvir nada distante
Todos poderão participar desta colheita:

Brota, no sítio, a educação ambiental sensível,
artística, crítica, viva!
Sejam bem-vindos!

sábado, 7 de maio de 2016

Troca Poética

I remember one morning getting up at dawn, there was such a sense of possibility. You know, that feeling? And I remember thinking to myself: So, this is the beginning of happiness. This is where it starts. And of course there will always be more. It never occurred to me it wasn't the beginning. It was happiness. It was the moment. Right then." - Clarissa Vaughn speech, The Hours (2012)

Troca Poética

Canto Dos Índios

Celelê e Talili
Compositor: Celise Melo / Tony Babalu
[para ouvir: http://www.vagalume.com.br/celele-e-talili/canto-dos-indios.html]

Nessa mata ainda virgem,
Sob a luz do luar,
Ouço um canto tão lindo,
Que não pode acabar.

Pescadores de sonhos,
Defensores da vida,
Eles dançam em roda
Pra celebrar.

Vivem juntos na tribo,
Tomam banho no rio,
Cantam pra vir a chuva
E a terra molhar

Os pés descalços
Há muito tempo,
Vivem aqui.
Hu, hu, hu, hu, hu
Hu, hu, hu, hu, hu
Tupi-Guarani!
(2X)

Tupi-Guarani!


Outros sons:
A floresta canta (escute só que joias!):
http://www.editorapeiropolis.com.br/2014/04/24/a-floresta-canta-musicas/

Troca Poética

Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho
Eu fiquei seu fã

Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim

Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim

(Sérgio Bittencourt)

Recebido 07/05/2016

sábado, 26 de março de 2016

Dia de nuvem no céu

Amanheceu e o céu custou a colorir-se. Ela vestiu o azul forçado para deixar o nublado para lá. Mas o cinza insistiu e foi deixando todo o dia em tons de cinza. Eis que depois do poente a tempestade se achegou. Foi tanta água caindo que na grande poça formada, ela encontrou-se. O reflexo do espelho trazia muitos flashes – raios de memória. Chovia pra aguar aquele terreno seco que havia se consolidado. Os raios anunciavam o que a seca causara.  Ao se observar sentiu a aridez bruta instalada naquele terreno vermelho que pulsa  no peito. Mas a chuva forte, lavando os tons de cinza, fazia um barulhinho anunciando o despertar daquelas partículas que chegavam junto dos raios solares ao chão. "Tem de cultivar a terra, tem de fazer tudo isso crescer. Não dá pra deixar toda aquela terra boa perder-se não". Era alguma voz a sussurrar em seu ouvido. Finda tempestade, a poça desmanchou-se para encontrar os lençóis freáticos. Ela, a este exemplo, fim de dia, busca também teus lençóis do sono profundo,e já então volta a cultivar-se.
Toda tempestade, apesar de assustadora, é bênção de terreno árido.
https://www.youtube.com/watch?v=wMXVw2yOL2E&list=PLnQ4cjcODHBApxqGocZFtBU4jrcJC5XJP

sábado, 8 de agosto de 2015

Do que fazemos com nossa aventura

            Queria saber se existem pessoas as quais a vida não se compara a uma montanha russa. Será que é esse meu espírito aventureiro que me coloca nesta constante sensação? E assim se faz: sobe, sobe, sobe. A expectativa aumenta, a adrenalina e o prazer do que está por vir, a alegria eufórica da aventura posta. Lá no pico, o medo. A instabilidade. E pronto: toda aquele looooooooooongo trajeto (no qual até o Tempo Rei passa a ser súdito e perde tua efetiva realidade) de repente cai. Desce, desce, desce. O coração dispara. Salta. Quase que saltamos nós, mas eis a sorte e o prazer da montanha-russa: não podemos saltar. Todo nossa radicalidade se maquila na segurança que nos trava.
            Essa segurança que nos trava! É disso que fazemos nossa vida a montanha-russa. Porque algo sempre nos circunda e nos faz tentar quantificar as possibilidades de sucesso e de erro. Não consigo fazer nada pelo fel prazer de se viver. É que a engrenagem da minha montanha russa é a mesma que a que move a sociedade. Ainda não consegui inventar um maquinário próprio, diferente. Só consegui ousar a lubrificar minha engrenagem com outros lubrificantes que não os usados normalmente – aliás, se quer são apresentados. Conheci dessas pessoas que ousaram a inventar lubrificantes e tornaram a engrenagem outra: a vida tem andado mais suave, é um outro deslizar. Destes que me apresentaram outras possibilidades de hidratar o sistema, pude reconhecer outras maneiras de sentir essa cotidiana aventura.
            Enquanto não consigo produzir esse tal lubrificante que me permita experimentar integralmente as satisfações e sensações cotidianas, preciso é me dedicar. Cuidar da respiração: nossa capacidade de observação, compreensão e criação é proporcional à nossa capacidade de mantermos nossa respiração constante, tranquila.
            É que da experiência da subida, da descida, ou ainda do topo e também do sopé, sempre falam das observações externas: raras vezes nos falam do que acontece dentro. Não se menciona a respiração, nem sequer o coração. Até que ele repentinamente pare, a respiração acabe. Por isso que eu quero fazer minha engrenagem funcionar diferente. Não é que não gosto de minhas aventuras, das subidas e descidas. Só quero cuidá-la a partir do que acontece dentro. Evitar estes desgastes.

            Se é que a vida é mesmo essa tal montanha-russa… 

sábado, 16 de maio de 2015

Da preferência matinal, compreendi.

         Hoje, ao acordar, ouvi o silêncio da aurora sendo encantado pelo piar dos pássaros. E nem meia horinha depois, o céu recebendo aquele círculo de cor quente ainda pastel, que ainda dava pra se admirar sem ter de apertar os olhos. Resolvi então lavar a roupa, e ainda acompanhada só da melodia passarinhal eu me peguei escolhendo qual roupa deveria pendurar lado a lado, tentando deixar o varal mais colorido possível (e não é que toda vez que lavo roupa um arco-íris aparece eu meu varal? Só eu que gosto de combinar as cores? Adoro lavar roupas aspirando este momento…). Logo foram aparecendo outros timbres na melodia, uma voz aqui, um latido ali… Hoje eu tava para prestar atenção nessas pequenezas que nos fazem sentir feliz e nem sabemos o que é… que de tão efêmero, se não prestamos atenção, logo se perde, se vai…
         Aproveitei a sintonia e fui cuidar das plantas. Procurar pelas ferramentas que saíram trabalhar em outras hortas e não voltaram, pegar a palha seca pra colocar na compostagem. A outra leira  já tinha baixado e resolvi peneirar, o adubo pretinho que só, cheio de baratinhas minhoquinhas e outras pequenininhas que vivem lá. A lua minguante, quase nova, sugere-nos podar as verdinhas. Aproveitei que peneirei a terra, e refiz todos os vasos. Todas bonitinhas, felizes por esse adubo fresquinho. Também descobri que a zedoária se enroscou toda na araruta, e por isso que tava aquela miscigenação toda das folhas! Que lindeza o bege-azul dessa tal de zedoária, viu! E o cheiro que mistura cânfora e alecrim, ai, que prazeroso é despertar nossos sentidos!
         Tanta coisa gostosa e nem meio dia era. Em meio dia fiz tanta coisa e com tal esmero que nem podia acreditar. É a gema sempre latente do auto cultivo. E aí que fui me apercebendo de meus prazeres e gozos. E me perguntei: quais será os prazeres das pessoas que não cultivam plantas, ou não se atentam nas cores das roupas do varal, ou mesmo que ficam matutando em quais ervinhas dariam um chá de deliciar o paladar e esquentar o coração? Pensei ainda se existia felicidade onde não tem lápis de cor, giz de cera, poesia ou melodia.
         De tanto observar, trabalhar e pensar o Sol começava a sua despedida, e fui tratando de podar o arbusto, rearranjar os vasos, varrer a área, ajudar a pombinha machucada, guardar as ferramentas, guardar o arco-íris no guarda-roupas e, nossa, o que mais? Meu coração regozija-se com tantas suti(be)lezas!

         E foi agora pouco, tomando banho, que compreendi a minha inerente disposição para acordar sempre tão cedinho, meu contentamento por conseguir escolher dormir cedo a sair pela madrugada… Se opto pela madrugada à alvorada, poderia eu trazer o arco-íris ao meu varal? Trabalhar com a terra, mexer na horta, manusear as ferramentas? Poderia eu me atentar nas flores, na intensidade dos tons, ler um livro sentada em qualquer lugar sem me preocupar com a eletricidade?  Jamais desmerecendo o brilho das estrelas, a sensualidade da Lua, nem o chamado das corujas! Mas me assumindo enquanto mulher do Sol, e amante da Lua!

quarta-feira, 25 de março de 2015

Minha melodia

Tão completa quanto posso
dia-a-dia ser maior.
SOL maior. Nunca dó. 

De todas as notas que existem
As que me deram sentido
Sustenido são
E mesmo quando dó, lá menor, 
Me fiz sempre crescente
Reflito, atenta
E de meus pensamentos
ouço a melodia. 
O reflexo, vibrante
Ressoa uma delicada harmonia
Dos altos e baixos,
Dos tons e semitons, 
Não quero notas dadas
Quero sensações, sorrisos
Que me façam canção. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Para não perder. Texticulos.

Trans-bordo cores
Trans-passo 
amores

Arco-íris!

~

É ser assim
essência, 
na terra,
minha ciência
da insenescência
da consicência
e do Sol, e de Gaia,
toda a força, justiça
sapiência
paciência


~
Andante e curiosa.
Que será que o o futuro lhe reserva?
O rio que nos levava bifurcou...
Minha canoa segue caminhos incríveis
inimagináveis
Sorrio, porque gosto do novo.
Mas de novo, transbordam in-certezas
Levo comigo vasos
Nas raízes, boas lembranças
Meu caule enxertado
As flores hoje tem origens diferentes
Seu cheiro e seu efeito,
Amansa, descansa...
Canoa, canoa
Tempo de tempestade é de(s)esperar!
Me leva, enfim, para o mar porque lá
Janaina é o que há
nessa menina imensidão.


~
No descanso e no descaso, no nadismo
Observando, imaginando, sonhando
Eis que chegam milhares de informações
goticulas fotons ares

Saberes
Iluminaaaaaaaares

Recebo-te ó universo, em mim!

~

é tanta mistura que misturo tudo e encontro,
dos pretéritos e dos futuros
presente recomeço...

detalhes.


~
Meu maracatú faz minha trilha, meu amor faz meu andar.
O trabalho, que grandeza, o trans-pirAr


~
de tanto colorido,
perdeu a cor e tom
resta-me o pedido de luz


~
Do cíclico e do círculo viemos, a mandala nos faz.
Do átomo, da célula, das órbitas...
Toda criação tem uma reação, e toda reação atinge uma criatura
Nas idas e vindas dos fios, nossas próprias re'inflexões tecidas...
Olho pra ti, pra olhar por mim
Olho Divino

~

Mãorrom

Pérrom

Da Terra eu vim, na Terra eu sou, pra Terra eu vou

Ria da minha vida, que eu certamente rio da sua!


~

Que eu seja considerada criança pro resto da vida, enquanto considerarem que pra ser Mulher, temos que abdicar de nossa criatividade, nossa ousadia, nossa imaginação. Que eu seja considerada sonhadora enquanto não me provarem que não vale a pena viver e lutar pela arte, pela educação. Que seja dado o rótulo que for, enquanto não compreenderem que, para algumas coisas, não adianta padronizações ou classificação... é preciso sentir.

Que minha intensidade, que meu amor, que minha arte eduque, aqueça, acolha, ame, perdoe. Quero cores quentes e intensas e suas complementares suaves dando o equilíbrio, até o fim de minha vida!

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Vivi

"Eramos
Tínhamos
Comprávamos
Conquistávamos"
Páro.
Reflito.
Observo-me.
O que tem no reflexo?
Sorrisos
Conquistas
Encontro, no olhar
toda a riqueza do mundo
de seu mundo

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Que frio!

    Um chá bem quente e meias. O frio me faz assim: incerta e insatisfeita. Não sei o que mais fazer para esquentar: não importa o quão quentinha eu fique, minhas mãos e pés sempre estarão gelados. Tá, nem sempre, mas predominantemente. O pé a gente resolve, coloca mais meias e aí fica tudo bem. A mão? Esquece. A vontade é não fazer nada e ficar com elas enroladas debaixo do cobertor. Ou ficar esfregando uma na outra e baforando aquele arzinho quente que sai de dentro da gente - quem nunca???
    A insatisfação logo se resolve quando a gente tem um carinho e um cafuné junto - da gente, não junto os dois, carinho E cafuné. Pode ser um ou outro. Nem sempre a gente consegue o cafuné, então eu me contento com o carinho: uma boa música, uma comidinha especial... Aquele docinho feito em casa, aquela fruta fresquinha de aguar a boca! São carinhos pra nossa alma...
   Já a incerteza, ah! A única coisa certa é que ela sempre estará presente... Queria saber de onde surgiu tanto -in- nessa vida. Incerteza, insegurança. Esta é mais difícil fazer sumir do que o frio nas mãos! E a temperatura é inversamente proporcional ao grau de nostalgia e a vivência da angústia do "que será de mim amanhã, meu Deus?!" Mas tudo bem. Tenho aprendido grandes lições com a vida!
    A primeira delas: o que tiver de ser, será. Não fiquemos parados porque não queremos perder a viagem! Mas não acelere, porque o presente da vida é admirar os caminhos, a paisagens.  E compartilho com você que tá na busca por seu caminho: nossos sentidos nos enganam. Tente prestar atenção naquilo que você nem imagina que existe. É bizarramente estranho isso, considerando que se não existe, não temos como observar. Mas quando abrimos nosso Portal, e começamos nosso caminho... Se tivermos este desejo, o que tiver de aparecer, aparecerá. Podemos compartilhar estas experiências depois... Posso falar sobre o verde das árvores. O verde vibrante do Reino Vegetal!
   Mas sobre as lições: também tenho aprendido que por mais que neguemos, que não acreditemos, que desconfiemos: nós SABEMOS o que queremos dessa vida! Sabemos exatamente quais são os caminhos que queremos seguir, as companhias que queremos ter, o alimento que queremos nos nutrir. Mas é muito, muito mais simples se jogar no velho "estou confusa, tenho medo das escolhas, e se não for isso?!" do que assumir a responsabilidade por nossas escolhas. Ainda mais quando não nos reconhecemos plenamente num ambiente - aí o desconforto é total. Somos vistos como estranhos ou sem domínio de nossas emoções e sentimentos. E perpetuamos esse desencontro ao não nos assumirmos enquanto nossos desejos e convicções profundas!
   É, mas a mais clichê de todas as lições é: a vida não é fácil! Que isso, minha gente. Não é fácil mas também não é difícil não. Basta se colocar nos trilhos e continuar, esse trem vai longe!
   Espero que minha viagem continue me mostrando maravilhosas paisagens, apresentando figuras inesquecíveis e grandiosas. Espero continuar contribuindo com Animo, contribuindo para a alma das pessoas, dos animais, das plantinhas. E que meu vagão seja referência de paz, de esperança, e que nunca saia dos trilhos.
   O frio nos deixa melancólicos, pensativos, e até mesmo preguiçosos. Tendemos a usar o frio pra fugir de nossas próprias aflições e questionamentos. Não precisamos estar no zero absoluto para que congelemos - congelar muitas vezes é a solução mais próxima. Pois que eu, você, que todos nós, façamos sublimar todo o gelo que nos limita!




quarta-feira, 28 de maio de 2014

Amor ma'mão

Na mão, mamão
Ou melhor: Mamoa
pois veja que boa!
Cheia de sementes,
Gravidinha!
Pra tu que não entendeu
Fique logo sabendo:
Tem mamão fêmea e macho!
Pergunte pro seu pai,
melhor ainda pra sua avó:
"Porque tem mamão sem semente?"
Mas olhe lá, se atente,
Tem gente que diz "não pode comer"!
Eu já comi! E nem piriri deu,
Cuida do teu, experimenta!

terça-feira, 27 de maio de 2014


Lá pro amar

Andante e curiosa.
Que será que o o futuro lhe reserva?
O rio que nos levava bifurcou...
Minha canoa segue caminhos incríveis
inimagináveis
Sorrio, porque gosto do novo.
Mas de novo, transbordam in-certezas
Levo comigo vasos
Nas raízes, boas lembranças
Meu caule enxertado
As flores hoje tem origens diferentes
Seu cheiro e seu efeito,
Amansa, descansa...
Canoa, canoa
Tempo de tempestade é de(s)esperar!
Me leva, enfim, para o mar porque lá
Janaina é o que há
nessa menina imensidão.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Vômito matinal.

Entupida. Tento lavar minha alma mas me intupo toda. Estupida.
Escancarada. Introspecção é meu maior desafio. Carecida.
Perdida. Tento encontrar um conforto mas nem me encontro. Entristecida.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Conectando...

De gota em gota
preenche-se o vazio
Escorre  os pensamentos cheios de nada

Contra corrente, correnteza me faço
Vou deixando a maré levar
Deságuo

Mistura de calor e emoção
Confunde-me as inteligências outras
tantas, opostas

Dispostas a afundar.
Apostas para acabar
Ah...

Para quem se acha bom marinheiro
quero ver navegar pela internet, sair são
e não sair só.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Espinhos. Estratégia de defesa, proteção.
E tamanha é a necessidade de defesa que nem as palavras sentem-se a vontade de sair, ficam perdidas, assustadas. Só saem de maneira afiada, sabe, aqueles espinhos fortes e doloridos? 
É muito antagonismo numa flor só. É bonita, simples, parece tão macia. E ao chegar perto, nada de cheiro gostoso, e espinhos, quantos espinhos!
Esses zunidos me confundem. Não consigo ignorá-los. Ora são marimbondos, ora são abelhas, ora, joaninhas. Não consigo distingui-las mais! E essas formigas cortadeiras?! Querem me fazer aos pedaços para alimentarem sua sociedade! 
E ainda me querem inteira. Me querem bonita, cheirosa, sem espinhos, leve, dançante, doce. Mas vem naturalmente, só mentes suicidas vencem o instinto de fugir da morte: quando menos espero, espinhos, espinhos, espinhos. 

Quem me viu quem me vê. Penso nisso todos os dias.