sábado, 7 de maio de 2016

Troca Poética

I remember one morning getting up at dawn, there was such a sense of possibility. You know, that feeling? And I remember thinking to myself: So, this is the beginning of happiness. This is where it starts. And of course there will always be more. It never occurred to me it wasn't the beginning. It was happiness. It was the moment. Right then." - Clarissa Vaughn speech, The Hours (2012)

Troca Poética

Canto Dos Índios

Celelê e Talili
Compositor: Celise Melo / Tony Babalu
[para ouvir: http://www.vagalume.com.br/celele-e-talili/canto-dos-indios.html]

Nessa mata ainda virgem,
Sob a luz do luar,
Ouço um canto tão lindo,
Que não pode acabar.

Pescadores de sonhos,
Defensores da vida,
Eles dançam em roda
Pra celebrar.

Vivem juntos na tribo,
Tomam banho no rio,
Cantam pra vir a chuva
E a terra molhar

Os pés descalços
Há muito tempo,
Vivem aqui.
Hu, hu, hu, hu, hu
Hu, hu, hu, hu, hu
Tupi-Guarani!
(2X)

Tupi-Guarani!


Outros sons:
A floresta canta (escute só que joias!):
http://www.editorapeiropolis.com.br/2014/04/24/a-floresta-canta-musicas/

Troca Poética

Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho
Eu fiquei seu fã

Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim

Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim

(Sérgio Bittencourt)

Recebido 07/05/2016

sábado, 26 de março de 2016

Dia de nuvem no céu

Amanheceu e o céu custou a colorir-se. Ela vestiu o azul forçado para deixar o nublado para lá. Mas o cinza insistiu e foi deixando todo o dia em tons de cinza. Eis que depois do poente a tempestade se achegou. Foi tanta água caindo que na grande poça formada, ela encontrou-se. O reflexo do espelho trazia muitos flashes – raios de memória. Chovia pra aguar aquele terreno seco que havia se consolidado. Os raios anunciavam o que a seca causara.  Ao se observar sentiu a aridez bruta instalada naquele terreno vermelho que pulsa  no peito. Mas a chuva forte, lavando os tons de cinza, fazia um barulhinho anunciando o despertar daquelas partículas que chegavam junto dos raios solares ao chão. "Tem de cultivar a terra, tem de fazer tudo isso crescer. Não dá pra deixar toda aquela terra boa perder-se não". Era alguma voz a sussurrar em seu ouvido. Finda tempestade, a poça desmanchou-se para encontrar os lençóis freáticos. Ela, a este exemplo, fim de dia, busca também teus lençóis do sono profundo,e já então volta a cultivar-se.
Toda tempestade, apesar de assustadora, é bênção de terreno árido.
https://www.youtube.com/watch?v=wMXVw2yOL2E&list=PLnQ4cjcODHBApxqGocZFtBU4jrcJC5XJP

sábado, 8 de agosto de 2015

Do que fazemos com nossa aventura

            Queria saber se existem pessoas as quais a vida não se compara a uma montanha russa. Será que é esse meu espírito aventureiro que me coloca nesta constante sensação? E assim se faz: sobe, sobe, sobe. A expectativa aumenta, a adrenalina e o prazer do que está por vir, a alegria eufórica da aventura posta. Lá no pico, o medo. A instabilidade. E pronto: toda aquele looooooooooongo trajeto (no qual até o Tempo Rei passa a ser súdito e perde tua efetiva realidade) de repente cai. Desce, desce, desce. O coração dispara. Salta. Quase que saltamos nós, mas eis a sorte e o prazer da montanha-russa: não podemos saltar. Todo nossa radicalidade se maquila na segurança que nos trava.
            Essa segurança que nos trava! É disso que fazemos nossa vida a montanha-russa. Porque algo sempre nos circunda e nos faz tentar quantificar as possibilidades de sucesso e de erro. Não consigo fazer nada pelo fel prazer de se viver. É que a engrenagem da minha montanha russa é a mesma que a que move a sociedade. Ainda não consegui inventar um maquinário próprio, diferente. Só consegui ousar a lubrificar minha engrenagem com outros lubrificantes que não os usados normalmente – aliás, se quer são apresentados. Conheci dessas pessoas que ousaram a inventar lubrificantes e tornaram a engrenagem outra: a vida tem andado mais suave, é um outro deslizar. Destes que me apresentaram outras possibilidades de hidratar o sistema, pude reconhecer outras maneiras de sentir essa cotidiana aventura.
            Enquanto não consigo produzir esse tal lubrificante que me permita experimentar integralmente as satisfações e sensações cotidianas, preciso é me dedicar. Cuidar da respiração: nossa capacidade de observação, compreensão e criação é proporcional à nossa capacidade de mantermos nossa respiração constante, tranquila.
            É que da experiência da subida, da descida, ou ainda do topo e também do sopé, sempre falam das observações externas: raras vezes nos falam do que acontece dentro. Não se menciona a respiração, nem sequer o coração. Até que ele repentinamente pare, a respiração acabe. Por isso que eu quero fazer minha engrenagem funcionar diferente. Não é que não gosto de minhas aventuras, das subidas e descidas. Só quero cuidá-la a partir do que acontece dentro. Evitar estes desgastes.

            Se é que a vida é mesmo essa tal montanha-russa… 

sábado, 16 de maio de 2015

Da preferência matinal, compreendi.

         Hoje, ao acordar, ouvi o silêncio da aurora sendo encantado pelo piar dos pássaros. E nem meia horinha depois, o céu recebendo aquele círculo de cor quente ainda pastel, que ainda dava pra se admirar sem ter de apertar os olhos. Resolvi então lavar a roupa, e ainda acompanhada só da melodia passarinhal eu me peguei escolhendo qual roupa deveria pendurar lado a lado, tentando deixar o varal mais colorido possível (e não é que toda vez que lavo roupa um arco-íris aparece eu meu varal? Só eu que gosto de combinar as cores? Adoro lavar roupas aspirando este momento…). Logo foram aparecendo outros timbres na melodia, uma voz aqui, um latido ali… Hoje eu tava para prestar atenção nessas pequenezas que nos fazem sentir feliz e nem sabemos o que é… que de tão efêmero, se não prestamos atenção, logo se perde, se vai…
         Aproveitei a sintonia e fui cuidar das plantas. Procurar pelas ferramentas que saíram trabalhar em outras hortas e não voltaram, pegar a palha seca pra colocar na compostagem. A outra leira  já tinha baixado e resolvi peneirar, o adubo pretinho que só, cheio de baratinhas minhoquinhas e outras pequenininhas que vivem lá. A lua minguante, quase nova, sugere-nos podar as verdinhas. Aproveitei que peneirei a terra, e refiz todos os vasos. Todas bonitinhas, felizes por esse adubo fresquinho. Também descobri que a zedoária se enroscou toda na araruta, e por isso que tava aquela miscigenação toda das folhas! Que lindeza o bege-azul dessa tal de zedoária, viu! E o cheiro que mistura cânfora e alecrim, ai, que prazeroso é despertar nossos sentidos!
         Tanta coisa gostosa e nem meio dia era. Em meio dia fiz tanta coisa e com tal esmero que nem podia acreditar. É a gema sempre latente do auto cultivo. E aí que fui me apercebendo de meus prazeres e gozos. E me perguntei: quais será os prazeres das pessoas que não cultivam plantas, ou não se atentam nas cores das roupas do varal, ou mesmo que ficam matutando em quais ervinhas dariam um chá de deliciar o paladar e esquentar o coração? Pensei ainda se existia felicidade onde não tem lápis de cor, giz de cera, poesia ou melodia.
         De tanto observar, trabalhar e pensar o Sol começava a sua despedida, e fui tratando de podar o arbusto, rearranjar os vasos, varrer a área, ajudar a pombinha machucada, guardar as ferramentas, guardar o arco-íris no guarda-roupas e, nossa, o que mais? Meu coração regozija-se com tantas suti(be)lezas!

         E foi agora pouco, tomando banho, que compreendi a minha inerente disposição para acordar sempre tão cedinho, meu contentamento por conseguir escolher dormir cedo a sair pela madrugada… Se opto pela madrugada à alvorada, poderia eu trazer o arco-íris ao meu varal? Trabalhar com a terra, mexer na horta, manusear as ferramentas? Poderia eu me atentar nas flores, na intensidade dos tons, ler um livro sentada em qualquer lugar sem me preocupar com a eletricidade?  Jamais desmerecendo o brilho das estrelas, a sensualidade da Lua, nem o chamado das corujas! Mas me assumindo enquanto mulher do Sol, e amante da Lua!

quarta-feira, 25 de março de 2015

Minha melodia

Tão completa quanto posso
dia-a-dia ser maior.
SOL maior. Nunca dó. 

De todas as notas que existem
As que me deram sentido
Sustenido são
E mesmo quando dó, lá menor, 
Me fiz sempre crescente
Reflito, atenta
E de meus pensamentos
ouço a melodia. 
O reflexo, vibrante
Ressoa uma delicada harmonia
Dos altos e baixos,
Dos tons e semitons, 
Não quero notas dadas
Quero sensações, sorrisos
Que me façam canção. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Para não perder. Texticulos.

Trans-bordo cores
Trans-passo 
amores

Arco-íris!

~

É ser assim
essência, 
na terra,
minha ciência
da insenescência
da consicência
e do Sol, e de Gaia,
toda a força, justiça
sapiência
paciência


~
Andante e curiosa.
Que será que o o futuro lhe reserva?
O rio que nos levava bifurcou...
Minha canoa segue caminhos incríveis
inimagináveis
Sorrio, porque gosto do novo.
Mas de novo, transbordam in-certezas
Levo comigo vasos
Nas raízes, boas lembranças
Meu caule enxertado
As flores hoje tem origens diferentes
Seu cheiro e seu efeito,
Amansa, descansa...
Canoa, canoa
Tempo de tempestade é de(s)esperar!
Me leva, enfim, para o mar porque lá
Janaina é o que há
nessa menina imensidão.


~
No descanso e no descaso, no nadismo
Observando, imaginando, sonhando
Eis que chegam milhares de informações
goticulas fotons ares

Saberes
Iluminaaaaaaaares

Recebo-te ó universo, em mim!

~

é tanta mistura que misturo tudo e encontro,
dos pretéritos e dos futuros
presente recomeço...

detalhes.


~
Meu maracatú faz minha trilha, meu amor faz meu andar.
O trabalho, que grandeza, o trans-pirAr


~
de tanto colorido,
perdeu a cor e tom
resta-me o pedido de luz


~
Do cíclico e do círculo viemos, a mandala nos faz.
Do átomo, da célula, das órbitas...
Toda criação tem uma reação, e toda reação atinge uma criatura
Nas idas e vindas dos fios, nossas próprias re'inflexões tecidas...
Olho pra ti, pra olhar por mim
Olho Divino

~

Mãorrom

Pérrom

Da Terra eu vim, na Terra eu sou, pra Terra eu vou

Ria da minha vida, que eu certamente rio da sua!


~

Que eu seja considerada criança pro resto da vida, enquanto considerarem que pra ser Mulher, temos que abdicar de nossa criatividade, nossa ousadia, nossa imaginação. Que eu seja considerada sonhadora enquanto não me provarem que não vale a pena viver e lutar pela arte, pela educação. Que seja dado o rótulo que for, enquanto não compreenderem que, para algumas coisas, não adianta padronizações ou classificação... é preciso sentir.

Que minha intensidade, que meu amor, que minha arte eduque, aqueça, acolha, ame, perdoe. Quero cores quentes e intensas e suas complementares suaves dando o equilíbrio, até o fim de minha vida!

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Vivi

"Eramos
Tínhamos
Comprávamos
Conquistávamos"
Páro.
Reflito.
Observo-me.
O que tem no reflexo?
Sorrisos
Conquistas
Encontro, no olhar
toda a riqueza do mundo
de seu mundo

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Que frio!

    Um chá bem quente e meias. O frio me faz assim: incerta e insatisfeita. Não sei o que mais fazer para esquentar: não importa o quão quentinha eu fique, minhas mãos e pés sempre estarão gelados. Tá, nem sempre, mas predominantemente. O pé a gente resolve, coloca mais meias e aí fica tudo bem. A mão? Esquece. A vontade é não fazer nada e ficar com elas enroladas debaixo do cobertor. Ou ficar esfregando uma na outra e baforando aquele arzinho quente que sai de dentro da gente - quem nunca???
    A insatisfação logo se resolve quando a gente tem um carinho e um cafuné junto - da gente, não junto os dois, carinho E cafuné. Pode ser um ou outro. Nem sempre a gente consegue o cafuné, então eu me contento com o carinho: uma boa música, uma comidinha especial... Aquele docinho feito em casa, aquela fruta fresquinha de aguar a boca! São carinhos pra nossa alma...
   Já a incerteza, ah! A única coisa certa é que ela sempre estará presente... Queria saber de onde surgiu tanto -in- nessa vida. Incerteza, insegurança. Esta é mais difícil fazer sumir do que o frio nas mãos! E a temperatura é inversamente proporcional ao grau de nostalgia e a vivência da angústia do "que será de mim amanhã, meu Deus?!" Mas tudo bem. Tenho aprendido grandes lições com a vida!
    A primeira delas: o que tiver de ser, será. Não fiquemos parados porque não queremos perder a viagem! Mas não acelere, porque o presente da vida é admirar os caminhos, a paisagens.  E compartilho com você que tá na busca por seu caminho: nossos sentidos nos enganam. Tente prestar atenção naquilo que você nem imagina que existe. É bizarramente estranho isso, considerando que se não existe, não temos como observar. Mas quando abrimos nosso Portal, e começamos nosso caminho... Se tivermos este desejo, o que tiver de aparecer, aparecerá. Podemos compartilhar estas experiências depois... Posso falar sobre o verde das árvores. O verde vibrante do Reino Vegetal!
   Mas sobre as lições: também tenho aprendido que por mais que neguemos, que não acreditemos, que desconfiemos: nós SABEMOS o que queremos dessa vida! Sabemos exatamente quais são os caminhos que queremos seguir, as companhias que queremos ter, o alimento que queremos nos nutrir. Mas é muito, muito mais simples se jogar no velho "estou confusa, tenho medo das escolhas, e se não for isso?!" do que assumir a responsabilidade por nossas escolhas. Ainda mais quando não nos reconhecemos plenamente num ambiente - aí o desconforto é total. Somos vistos como estranhos ou sem domínio de nossas emoções e sentimentos. E perpetuamos esse desencontro ao não nos assumirmos enquanto nossos desejos e convicções profundas!
   É, mas a mais clichê de todas as lições é: a vida não é fácil! Que isso, minha gente. Não é fácil mas também não é difícil não. Basta se colocar nos trilhos e continuar, esse trem vai longe!
   Espero que minha viagem continue me mostrando maravilhosas paisagens, apresentando figuras inesquecíveis e grandiosas. Espero continuar contribuindo com Animo, contribuindo para a alma das pessoas, dos animais, das plantinhas. E que meu vagão seja referência de paz, de esperança, e que nunca saia dos trilhos.
   O frio nos deixa melancólicos, pensativos, e até mesmo preguiçosos. Tendemos a usar o frio pra fugir de nossas próprias aflições e questionamentos. Não precisamos estar no zero absoluto para que congelemos - congelar muitas vezes é a solução mais próxima. Pois que eu, você, que todos nós, façamos sublimar todo o gelo que nos limita!




quarta-feira, 28 de maio de 2014

Amor ma'mão

Na mão, mamão
Ou melhor: Mamoa
pois veja que boa!
Cheia de sementes,
Gravidinha!
Pra tu que não entendeu
Fique logo sabendo:
Tem mamão fêmea e macho!
Pergunte pro seu pai,
melhor ainda pra sua avó:
"Porque tem mamão sem semente?"
Mas olhe lá, se atente,
Tem gente que diz "não pode comer"!
Eu já comi! E nem piriri deu,
Cuida do teu, experimenta!

terça-feira, 27 de maio de 2014


Lá pro amar

Andante e curiosa.
Que será que o o futuro lhe reserva?
O rio que nos levava bifurcou...
Minha canoa segue caminhos incríveis
inimagináveis
Sorrio, porque gosto do novo.
Mas de novo, transbordam in-certezas
Levo comigo vasos
Nas raízes, boas lembranças
Meu caule enxertado
As flores hoje tem origens diferentes
Seu cheiro e seu efeito,
Amansa, descansa...
Canoa, canoa
Tempo de tempestade é de(s)esperar!
Me leva, enfim, para o mar porque lá
Janaina é o que há
nessa menina imensidão.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Vômito matinal.

Entupida. Tento lavar minha alma mas me intupo toda. Estupida.
Escancarada. Introspecção é meu maior desafio. Carecida.
Perdida. Tento encontrar um conforto mas nem me encontro. Entristecida.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Conectando...

De gota em gota
preenche-se o vazio
Escorre  os pensamentos cheios de nada

Contra corrente, correnteza me faço
Vou deixando a maré levar
Deságuo

Mistura de calor e emoção
Confunde-me as inteligências outras
tantas, opostas

Dispostas a afundar.
Apostas para acabar
Ah...

Para quem se acha bom marinheiro
quero ver navegar pela internet, sair são
e não sair só.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Espinhos. Estratégia de defesa, proteção.
E tamanha é a necessidade de defesa que nem as palavras sentem-se a vontade de sair, ficam perdidas, assustadas. Só saem de maneira afiada, sabe, aqueles espinhos fortes e doloridos? 
É muito antagonismo numa flor só. É bonita, simples, parece tão macia. E ao chegar perto, nada de cheiro gostoso, e espinhos, quantos espinhos!
Esses zunidos me confundem. Não consigo ignorá-los. Ora são marimbondos, ora são abelhas, ora, joaninhas. Não consigo distingui-las mais! E essas formigas cortadeiras?! Querem me fazer aos pedaços para alimentarem sua sociedade! 
E ainda me querem inteira. Me querem bonita, cheirosa, sem espinhos, leve, dançante, doce. Mas vem naturalmente, só mentes suicidas vencem o instinto de fugir da morte: quando menos espero, espinhos, espinhos, espinhos. 

Quem me viu quem me vê. Penso nisso todos os dias. 


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A caminho da curiosidade, ao encontro das surpresas

Acordei um pouco mais tarde do que havia me programado. Aproveitei a preguiça matinal trazida pelas nuvens de chuvisco e frescor. Uma manhã assim, parcialmente nublada, nem quente nem fria, muito me agrada. A vontade era de me integrar à força que gerava essa manhã tão agradáveç.
Também não tinha me programado para fazer exercícios. Mas senti que meu corpo pedia por uma caminhada. Meia horinha. Então eu fui, sabendo que perderia meia hora da minha programação - o dia está cheio de coisas e não posso me delongar. E fui... caminhando a passos lentos, pra aproveitar este início de primavera.
Hoje, primeira segunda-feira de primavera, todos saíram às ruas para varrer as calçadas. Um delicioso fenômeno social eu acho. Será que tem como meu dia não ser bom depois de tantos senhores me afirmando, ou desejando um "Bom Dia!"? Quase que duvido.
A audácia das flores e folhas que se libertavam de suas geradoras para ousar a liberdade do vento e ir parar em algum lugar, me levou também a novos caminhos,  desconhecidos. E a cada dobra de rua, uma surpresa diferente. As casas mais robustas se diluíam por meio das casas mais singelas. Todas elas, ricas em simplicidades. Que delícia de riqueza... a simplicidade.
Eu sei que não tinha me programado para caminhar hoje. Não sabia, entretanto, que existia tantos lugares a serem explorados. Muito menos que minha curiosidade e o encontro com diversas surpresas me levariam além, me fariam desconectar. Esqueci do horário, esqueci dos afazeres. Só fui, fui... Foram muitas imagens agradáveis para uma hora e meia de caminhada. Muita informação pra ser digerida. Provavelmente não consigo nem me lembrar de todas elas agora - mas deixemo-as pra outro momento.

O fato é que eu estou maravilhada: ainda existem lugares em Barão Geraldo em que, pelo menos aparentemente, o respeito ao próximo, humano ou não, ainda existe... em que os vizinhos se conhecem, as escolas são no mínimo atraentes em sua infra-estrutura. Em que as árvores e pracinhas são cultivadas pelos moradores. Em que as pessoas ficam conversando no portão. Em que parece que o "ter muito e do melhor e maior" ainda não faz parte da filosofia de vida das famílias.

Um lugar de diversidades não só sociais, mas muitas outras.

Enfim... quando vi, já tinha caminhado por tudo. Pra um lado e pro outro de meu bairro. Me surpreendido em praticamente todo o trajeto. E depois, me surpreendido quando vi que já fazia uma hora e meia que estava andando.

Que pesar a vida daqueles que nunca se deram a oportunidade de conhecer novos caminhos...

domingo, 7 de abril de 2013

Às leoas:


Eu não sei ao certo porque a gente insiste,
mas eu tenho certeza do porque
que a gente não desiste.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Diz que é superior...




Querido mascu: se você vive com esse discurso de que a racionalidade é o que nos faz diferente e principalmente superior aos demais animais, por favor: utilize esse seu argumento justamente para não se comportar como essas outras espécies de animais em que os machos ficam lutando como demonstração de força, virilidade, para serem escolhidos (que você tanto se diz “superior”). No mundo da racionalidade, é seu cérebro quem deveria demonstrar algum benefício como parceiro, e não seu dinheiro, muito menos sua força, seu músculo ou seu pinto.

Sobre aquela caixa amarela...


Dúvida, curiosidade, ansiedade...
Surpresa! Ah! Uau!
“Que legal... Que legal... Que massa, que massa! Nossa, noooossa!!! Ahhhh!!!”
Uma caixa mágica. A memória daquilo que se sabe mas que nunca se viu. O primeiro item: um casulo. E tudo foi exatamente como o surgir de uma borboleta, o desabrochar do casulo – como serão as asas, quais serão as cores. O que esperar? E depois, perceber que o que se esperava não  se compara nem a encontrar grão de areia em meio a uma praia inteira de descobertas.
Logo percebi que a caixa era um casulo de imagens e emoções.
A cada objeto, a cada fruto, semente, folha, uma emoção diferente, singular. Ao tirá-lo da caixa, construir uma única imagem com um tanto de história... Sensações indescritíveis.
Parecia que, em algum momento dessa minha vida – mundana ou não – eu já havia tido contato com tudo aquilo, mas que em algum momento eles ficaram escondidos em minha memória. Algo me tocou, pensando nos aspectos acadêmico:  como pode estudarmos tanto uma planta, tanta descrição, e não termos contato ao menos uma vez (na grande parte das vezes) com o exemplar daquilo que estudamos?
O redescobrir e, com ele o se emocionar... Como pode a natureza mudar tanto? Uma folha seca não nos é tão comum quanto uma folha verde ainda presa em sua árvore mãe. Aí, ao descobrir  que aquela folha verde tão costumeira ao nosso olhar é exatamente aquela que se transformou numa obra de arte da natureza, uma renda tão bonita, tão delicada que nos causa tanto encantamento e surpresa... Ah!
Perceber. Perceber (mais uma vez, como sempre) que a natureza não tem uma única finalidade. O fruto não só protege as sementes, mas pode ser também um instrumento. O algodão não só ajuda a dispersão das sementes, mas também servirá para tecer os fios! Perceber os ciclos, a natureza, perceber a relação natureza-natureza, natureza-animais...
Redescobrir coisas que eu não sabia que conhecia, reviver (e tão intensamente) outras que, um dia, já exerceram um poder mágico sobre mim – ah aquela concha, aquele cheiro de mar, de oceano, de imensidão... e as pedras! As pedras, as cachoeiras, a correnteza, a voz falando “Janaina! Firma esses pés na pedra, presta atenção na correnteza! Sinta essa energia...” Percebo que agora até a água, a correnteza, apareceu magicamente aqui. Lágrimas, alegria, emoção!
E é isso. Poderia olhar para cada item e tentar escrever linhas e linhas de cada um... Baldado.  A emoção foi tão intensa, que muito provavelmente ninguém, ao ler isso aqui, irá senti-la em seu completo...
Sublimarte.

A cria e ação


               Tudo começou numa conversa entre nós, participantes do projeto. Uma conversa típica de roda de amigos, descontraída, com risos e desabafos. Estes eram em sua grande parte relacionados à criação do personagem que interpretaríamos (interpretar? Hoje já não sei como chamar essa ação, logo menos explico o porquê) enquanto as crianças estivessem na horta.
              Em minha cabeça, as ideias do que ser iam e vinham, nenhuma delas muito convincentes de que seriam a melhor escolha... De repente, toda a aflição que me envolvia por conta da minha ansiedade, transformou-se no êxtase da criação. Longe de tudo o que eu poderia imaginar, de todas as ideias que já tinham passeado pela minha mente, surge um coelho!  Surgiu depois de o João nos ter contado sobre seu personagem –   Arruda “o mágico de bermuda, que do broto faz a muda”. Um mágico, numa horta... um coelho.
             Sabido qual seria meu personagem, outra aflição (seria eu a ansiedade em pessoa?): como seria interpretar esse personagem? Sua personalidade? Como é um coelho? Como ele agiria? Perguntas as quais todas as respostas que tentava encontrar foram em vão. Em vão porque, ao colocar a máscara pela primeira vez, tudo mudou. Foi numa tarde em que semearíamos. Quando a coloquei, a primeira grande diferença foi a voz. E ao preparar a terra, a vontade de fazer uma traquinagem. E daí, muitas outras características que vieram a me tomar conta sem, em nenhum momento, eu ter pensado delas: um coelho aprendiz, que gostava de trabalhar na horta, mas muito arteiro e as vezes artista. Guloso, e um pouco interesseiro (queria saber todos os processos para o funcionamento dos diferentes ciclos da horta para um dia, quando crescer,  ter a sua própria!). Todas as vezes em que coloquei a máscara, parece que em algum lugar adormecia meu verdadeiro eu, e imediatamente a Chin Chin despertava. Por isso a dificuldade em dizer que eu interpreto um coelho. Eu não interpreto, ele é quem por si só faz. Sinto-me apenas como mediadora. Mas ao longo do tempo, fui percebendo esse desdobramento, me percebendo como criadora do personagem apesar de ainda ter dificuldades em controla-lo.
             Da criação do nome: Chin-chin surgiu enquanto estávamos a caminho da escola, que faríamos a visita e convidaríamos as crianças a participar do projeto. Chin-chila. Pensava num nome que não designasse diretamente o gênero (até hoje é difícil responder a essa questão, se é que ela importa), e que fosse fácil. Chin-chin. Mas sentia falta de algo mais “crioulo”. Foi quando, numa aula, descubro que existe um coelho nativo do Brasil, ao qual os índios chamam de Tapiti! Mas que será de fato nome e não sobrenome para as turmas que virão.
                Das lembranças de Chin-Chin: é muito curioso pra mim como reajo as coisas quando estou com a máscara. Tento me enxergar fazendo as coisas que Chin-Chin faz. No primeiro dia, Chin-chin estava passeando pelo canteiro, quando o Cachola aparece para assustá-lo. É preciso muita agilidade pra fugir de um cachorro grande. Assim, Chin-Chin sai salticorrendo em disparada – certamente eu, Janaina, não reagiria assim. Provavelmente até eu conseguir reagir a um cachorro, já teria sido atacada!
                Uma das coisas que mais me marcou foi a reação de uma das crianças quando tentou tirar minha máscara. Quase todas as crianças entraram na mesma frequência que a Chin-chin estava, e nem questionaram se aquilo era ou não uma pessoa por trás de uma máscara, um personagem. No entanto, algumas queriam que eu tirasse a máscara. Aí Chin-chin respondeu: “mas é difícil tirá-la. Me cansa muito... mas você pode tentar”. É claro que a máscara estava presa de uma maneira que eu sabia que seria difícil de sair. Assim que a criança puxou a máscara, Chin-chin fechou os olhos, respirou fundo. A criança insistia. Chin-chin começou a amolecer o corpo, a respiração começou a enfraquecer. Nesse momento, outra criança, que também queria que a máscara fosse retirada, tirou a mão da amiga e disse, aflita “para! A energia dela tá acabando, deixa ela assim!”. Nesse momento, todas as crianças que estavam querendo que a máscara fosse retirada, tentaram segurar a Chin-Chin (que estava sentada, quase deitando no chão), e nunca mais pediram pra eu tirar a máscara... a não ser, no último encontro  da primeira turma, e ainda assim, alguns minutos antes de entrarem no ônibus. E foi muito bonito.
 Percebi que toda essa vivência funcionou como uma intervenção artística para as crianças. Resolvi tirar a máscara, já que se tratava do último dia. Antes de tirar a máscara, Chin-chin disse “então eu vou tirar a máscara, mas aí não sou eu quem estará aqui, e sim minha criadora. Ela se chama Janaina, tá? Conheçam-na então”, e tirei a máscara. Cumprimentei a todos com minha própria voz, e me apresentei pela primeira vez. Percebi muitos olhares: e surpresa, de alegria, de dúvida. Alguns me pareceram desapontados. Então pediram que eu colocasse novamente a máscara. Coloco, e Chin-chin fala algo rapidamente. E tiro novamente. Percebo uma certo espanto quanto a essa dualidade de personalidade Janaina x Chin-chin. Mas o mais interessante, o mais fascinante: muitos queriam colocar a máscara. O primeiro que a colocou e falou algo: falou com uma voz completamente diferente! Assim como acontecia com Janaina e Chin-chin! Outros, depois dele, colocaram minha máscara e falaram com vozes diferentes. E assim, eu, Janaina, os cumprimentava “Nossa, prazer! Que voz diferente! Como você chama?”. A surpresa foi quando um deles me disseram “sou xixi, primo do Chin-Chin”.  A máscara me pareceu um artefato de criação. Ao colocá-las, as crianças mudavam alguma coisa em seu comportamento. Algumas mudaram inclusive a personalidade. Sem ninguém pedir para que criassem, inventassem. Naturalmente.